sexta-feira, 1 de julho de 2016

UM POUQUINHO DE UM PAIS CHAMADO BRAZIL VERGONHA NACIONAL E INTERNACIONAL FORA GOLPISTAS FORA QUADRILHEIROS FORA REDE GLOBO

Lei Rouanet e os 

segredos

 da Globo. 

Por Altamiro Borges


29 de junho de 2016 Redação




por Altamiro Borges, no Blog do Miro
Em mais uma operação cinematográfica, batizada de
 “Boca Livre”, a Polícia Federal prendeu 14 pessoas na
 manhã desta terça-feira (28) acusadas de desvio de
 recursos públicos através das isenções fiscais previstas
 na Lei Rouanet. Segundo as investigações, o grupo
 mafioso atuou por quase 20 anos no Ministério da 
Cultura e conseguiu aprovar R$ 180 milhões em 
projetos “culturais”. O desvio ocorria por meio de
 diversas fraudes, como superfaturamento, apresentação
 de notas fiscais relativas a serviços e produtos fictícios,
 projetos duplicados e contrapartidas ilícitas feitas às
 incentivadoras. Entre os presos na Superintendência 
da PF em São Paulo, estão os donos da produtora
 Bellini Cultural e o agente cultural Fábio Ralston.
Segundo relato do portal G1, do suspeitíssimo Grupo 
Globo, “a Polícia Federal concluiu que diversos projetos
 de teatro itinerante voltados para crianças e adolescentes
 carentes deixaram de ser executados, assim como
 livros deixaram de ser doados a escolas e bibliotecas
 públicas. Os suspeitos usaram o dinheiro público para 
fazer shows com artistas famosos em festas privadas
 para grandes empresas, livros institucionais e até a festa
 de casamento de um dos investigados na Praia de Jurerê 
Internacional, em Florianópolis. Além das 14 prisões
 temporárias, 124 policiais federais cumpriram 37 mandados
 de busca e apreensão, em sete cidades de São Paulo,
 Rio de Janeiro e Brasília”.
Ainda de acordo com a reportagem, “entre os alvos da 
operação, estão o Ministério da Cultura, o escritório
 Demarest Advogados, as empresas Scania, Roldão, 
Intermédica Notre Dame, Laboratório Cristalia, KPMG,
 Lojas 100, Nycomed Produtos Farmacêuticos e Cecil...
 Os presos devem responder pelos crimes de organização
 criminosa, peculato, estelionato, crime contra a ordem 
tributária e falsidade ideológica, cujas penas chegam a 
doze anos de prisão”. O site explica que a Lei Rouanet foi
 criada em 1991, no governo Fernando Collor, e permite
 a captação de recursos para projetos culturais por meio 
de incentivos fiscais. “A lei permite que uma empresa
 destine parte do dinheiro que iria gastar com impostos
 para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da 
Cultura”.
O produtor fascista e o Judas Temer
O portal do Grupo Globo não se preocupou em pesquisar 
a história dos integrantes desta máfia. Já a revista Fórum
 foi atrás e descobriu um caso bem curioso. “Júlio Plácido, 
sócio diretor da J2A Eventos, empresa acusada pela Policia 
Federal de desviar verbas da Lei Rouanet para bancar
 casamentos e festas privadas posta com frequência
 xingamentos e ofensas a Dilma, Lula, ao prefeito 
Fernando Haddad e frequenta passeatas contra a 
corrupção... Em alguns posts, Júlio Plácido pede para
 que Lula seja assassinado e xinga a presidenta afastada
 de ‘vaca’... Um dos episódios que mais chamou a
 atenção da PF foi o casamento de Felipe Amorim e
 Caroline Monteiro, organizado pela empresa de Plácido, 
que aconteceu na luxuosa Jurerê Internacional em 22 de
 abril deste ano”.
Há ainda muito mais coisa a se descobrir sobre os
 desvios criminosos praticados através do uso ilícito 
da Lei Rouanet. A questão é se o Ministério Público e a
 Polícia Federal irão investigar a fundo as mutretas, que
 envolvem interesses poderosos. Como se sabe, a Globo 
é uma dos maiores beneficiárias das isenções fiscais. Logo
 após o “golpe dos corruptos”, o ministro interino da Cultura,
 indignado com os protestos do setor pelo “Fora Temer”, 
anunciou que reavaliaria a legislação em vigor. Nas redes 
sociais, os fascistas mirins acusaram os artistas contrários
 ao impeachment de Dilma de “petralhas” que vivem da Lei
 Rouanet. No seu cinismo, o mafioso de Jurerê Internacional
 talvez até tenha reforçado a mentira. Na sequência, porém,
 os golpistas enterraram o assunto inflamável.
Milhões para a Fundação Roberto Marinho
Já o jornalista Kiko Nogueira, do blog Diário do Centro do
 Mundo, foi atrás e descobriu que as isenções fiscais
 beneficiam principalmente grandes empresas. O título 
da sua postagem é demolidor: “Globo captou, pela 
Fundação Roberto Marinho, R$ 147 milhões na Lei Rouanet
 sob o PT”. Vale conferir a reportagem:
*****
A Globo, através da Fundação Roberto Marinho, captou 
R$ 147 858 580 desde 2003, primeiro ano do governo
 Lula, até 2015.
Os valores não foram atualizados.
A FRM foi criada nos anos 70 e é uma instituição privada,
 teoricamente sem fins lucrativos, voltada, diz o site oficial, 
para “a educação e o conhecimento”. Ela “se dedica à 
concepção e implementação de museus e exposições”.
Entre outros projetos, estão sob seus cuidados o Museu 
do Amanhã, o Museu de Arte do Rio, a nova sede do MIS 
no Rio e o Museu da Língua Portuguesa.
O DCM teve acesso aos dados do Ministério da Cultura.
 A fundação é apontada na linha dos “maiores proponentes”.
O ano em que mais se captou foi 2011: 35,2 milhões de reais.
 A destinação era a revitalização da Igreja Nossa Senhora
 do Carmo da Antiga Sé, o Paço do Frevo, o MIS e o 
Museus de Arte do Rio – Mar, todos no Rio de Janeiro. 
O MIS, sozinho, abocanhou 20,7 milhões.
Refinando, chega-se aos “incentivadores”.
Quem mais doou, segundo a planilha, foi a Globosat, com 
9,5 milhões, seguida da Globo Comunicações e Participações.
 A Infoglobo entra com 700 mil.
Grana para fundações é restituída no Imposto de Renda.
 Quando a fundação é do próprio grupo, tem-se uma 
situação ganha-ganha. O dinheiro sai do caixa da 
companhia, livre do fisco, e entra numa fundação que lhe 
pertence. É quase lavagem. E é, em tese, legal.
Um ex-diretor do MinC ofereceu uma explicação sobre a
 generosidade com a Globo na aprovação de projetos.
 “O MinC foi leniente na gestão. Havia gente muito próxima 
do mercado em cargos chaves. Para se legitimar no
 lugar de Gilberto Gil, o ex-ministro Juca Ferreira teve de
 fazer várias concessões”, diz.
Ele continua: “As prestações de contas são frágeis. Não 
se analisa nada direito. É uma festa.”
A Lei Rouanet financia boa parte dos institutos e fundações
 privadas no país — do Itaú Cultural, passando pelo Alfa
 até o Instituto FHC. É um cipoal de altos interesses.
No final de maio, o DEM entrou com um pedido de CPI, 
fruto da histeria coletiva de uma direita lelé segundo a 
qual artistas petralhas tinham ficado milionários com o 
incentivo. Assim que surgirem os verdadeiros beneficiários
 e o partido descobrir que deu um tiro no pé, a comissão 
será enterrada rapidamente.
Assim como ocorreu com a investigação da Polícia Federal 
dos cem maiores captadores. Sergio Moro mandou anular
 o requerimento de um delegado ao Ministério da
Transparência. Segundo Moro, a apuração, “se pertinente”,
 deve ser feita em um inquérito à parte na Lava Jato e com
 “objeto definido”.
*****
A grana para o Rock in Rio
Será que a midiática Operação Boca Livre topa colocar a 
mão neste vespeiro? Caso vá fundo nas investigações, 
outros casos sinistros devem surgir. Segundo o Sistema 
de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), implantado 
pelo Ministério da Cultura, entre os anos de 1992 e 2011 
foram aprovados na Lei Rouanet 34.521 projetos, cujos 
valores de captação somados totalizaram R$ 11,7 bilhões.
 É muito dinheiro! Com estes recursos, importantes
 iniciativas artísticas foram patrocinadas, ajudando a
 valorizar a cultura nacional. Elas merecem aplausos!
 Outras, porém, serviram apenas para encher os bolsos
 dos oportunistas e dos magnatas do setor. No início
 de junho, a Folha estampou no título: “Rock in Rio pede 
R$ 8,8 milhões via lei Rouanet para show sem público”.
Segundo matéria de Rodolfo Viana, a empresa 
“Rock Word”, produtora do Rock in Rio, encaminhou ao
 Ministério da Cultura o pedido de isenção fiscal no valo
r total de R$ 8,8 milhões “para custear o Amazônia Live, 
um show em um palco flutuante montado no rio Negro,
 em Manaus, agendado para ocorrer em 27 de agosto.
 O evento será fechado a 200 jornalistas e formadores
 de opinião, diz o texto do projeto. A assessoria da
 produtora, contudo, ressalta em nota: o público poderá 
acompanhar, por telões espalhados por Manaus e pela 
transmissão do Multishow [pertencente ao Grupo Globo],
 as apresentações do tenor lírico Plácido Domingo ao 
lado da Orquestra Amazonas Filarmônica e do Coral 
do Amazonas”.
A própria reportagem registra: “O caráter restritivo é proibido
 pela lei Rouanet, que veda a concessão de incentivo 
a eventos que estabeleçam limitações de acesso, lembra
 o advogado Fábio de Sá Cesnik, presidente da Comissão 
de Mídia e Entretenimento do Instituto dos Advogados 
de São Paulo e membro da Comissão de Direito às Artes
 da OAB-SP. ‘Mesmo com a transmissão por telões e na 
TV, eles não poderiam criar restrição de acesso no evento
 principal’, diz. ‘Se, no show, respeitassem a distribuição
 estipulada pela lei [em que até 20% dos acessos 
 podem ser destinados a patrocinadores e ações de 
divulgação, reservando o restante ao público], não teria
 problema’”. Será que a TV Globo fará algum escarcéu 
contra este projeto? Quanto ela iria garfar em publicidade 
com a transmissão do “Amazônia Livre”?
Fonte http://www.ocafezinho.com/2016/06/29/
lei-rouanet-e-os-segredos-da-globo-por-altamiro-borges/

Nenhum comentário:

Postar um comentário