quarta-feira, 31 de agosto de 2016

UM POUQUINHO DE UM PAIS CHAMADO BRAZIL

“Golpe” ganha de “impeachment”








Os defensores do impeachment estão preocupadíssimos com
 a possibilidade de o processo ser anulado. E Lewandowski 
também. Antes de abrir a sessão da tarde desta terça-feira
 leu um dispositivo que revoga outro, da lei 1079, que não 
permite a presença das partes (ou seja, dos advogados
 de acusação e de defesa) depois da inquirição da acusada, 
afirmando que fazia isso "para evitar futuros pedidos de
 anulação".


Prova disso é que todos os governistas, instruídos 
pelo governo Temer, ao discursarem hoje, véspera 
da votação, elogiaram, em primeiro lugar, a 
participação de Lewandowski e repetiram que
 não se justifica a palavra golpe porque o STF 
está ali presente.

E insistiram que foi respeitado o direito de defesa
 da acusada e o devido processo legal.

Foi o mantra de todos eles.

Uma espécie de vacina anti-anulação para inglês
 ver, pois há muitos motivos para o impeachment
 ser anulado, dentre os quais a declaração de voto 
ainda em meio ao processo, o que é inaceitável
 em qualquer tribunal do júri.

Sem contar que, como disse o senador Jorge Viana,
 "não há como esperar justiça desses jurados pois
 eles são beneficiários do resultado".

O suspeito mais notório é José Aníbal. Suplente de
 Serra, se o impeachment não passar ele terá de
 voltar para São Paulo, pois Serra sairia do ministério 
e voltaria ao Senado. No entanto, como se não
 fosse com ele, além de não ficar na sua, escondido
 num canto qualquer nos fundos do plenário, atua
 como um dos mais ferozes pitbulls de Temer,
 causando preocupação em Aloysio Nunes Ferreira,
 que não admite concorrência nesse quesito.

Outro motivo para anulação é o fato de o STF ter 
alertado, ainda no início do processo que os 
acusadores deveriam ater-se às duas acusações 
– os três decretos de suplementação de verba e o 
Plano Safra - o que, no entanto, é sistematicamente 
desrespeitado do primeiro dia até hoje, já que
 eles sempre acusam Dilma pelo "conjunto da 
obra". Isso não é permitido num julgamento sério
 porque constitui obstrução da defesa, já que ela
 não pode defender a acusada do que não consta 
dos autos.

Por tudo isso é possível que o "impeachment"
 vire "golpe" e seja, por isso, anulado.

"Golpe", aliás, tem sido a palavra mais citada no
Senado, ganhando de "impeachment" graças aos 
governistas que morderam a isca da oposição.

Para rebater as acusações de golpe passaram a
 repetir a palavra de forma exaustiva, usando-a 
para atacar os que os atacam, com alegações tais
 como "golpe é mentir nas eleições", "golpe é 
acabar com as estatais", "golpe é causar 12 milhões
 de desempregados", "golpe é destruir a Petrobrás"
 e outras baboseiras que não estão no gibi nem 
em nenhum tratado de política.

Conseguiram com isso colocar a palavra golpe 
nos "trend topics" do Senado. Agora todo mundo 
fala em golpe, quem é contra e quem é a favor.

A palavra golpe é mais pronunciada que a palavra
 impeachment.

A pérola do dia foi do tucano Cássio Cunha Lima. 
Numa demonstração de quanto ele e seus colegas 
de aventura estão confusos, desorientados e
 desequilibrados ele teve a pachorra de afirmar
 que o impeachment foi "um conluio entre Eduardo 
Cunha e Dilma", razão pela qual "somente duas
 acusações de 2015 foram arroladas".

Ou ele não sabe que a constituição obriga que as
 acusações se restrinjam ao mandato em vigor ou 
não dá bola para a constituição.
http://www.brasil247.com/pt/blog/alex
_solnik/252631/%E2%80%9CGolpe%
E2%80%9D-ganha-de-%E2%80%9Cimpeachment%E2%80%9D.htm
Alex Solnik

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