quinta-feira, 27 de junho de 2019

O BRASIL DESCENDO A LADEIRA

BRASIL

Ao liberar agrotóxicos, 

Brasil vai na contramão 

da tendência mundial, 

diz Le Monde

mediaLe Monde se mostra preocupado com a quantidade de agrotóxicos pulverizados nas plantações brasileirasFernando Dias/Seapa
O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde 
dessa quinta-feira (27) traz uma reportagem de meia
 página sobre o Brasil. O artigo alerta, com
 preocupação, para o possível impacto na saúde
 da população com a liberação de mais de 200 
agrotóxicos pelo governo brasileiro, desde janeiro.
O texto, assinado pela correspondente do Le Monde no
 Brasil Claire Gatinois, começa 
relatando a decisão de Johannes
 Cullberg, dono de uma rede de
 supermercados na Suécia,
 jornalista diz que o episódio 
pode parecer insignificante, afinal
 o sueco dirige apenas 
quatro supermercados. No entanto,
 a história, que viralizou
 nas redes sociais após a criação do #boycottbralizianfood
, irritou muito em Brasília, explica
 a matéria.
A ministra brasileira Tereza Cristina
 acusa o sueco de
 difamação, relata Le Monde.
 A representante do governo
 teria alegado que se os alimentos 
brasileiros estivessem
 realmente impregnados de
 substâncias nocivas para a saúde,
 o Brasil não exportaria tantos
 produtos com sucesso para
 160 países.
No entanto, ressalta o texto, a 
ministra “esquece de mencionar
 que um carregamento de soja
 brasileira já foi bloqueado em
 fevereiro na fronteira da Rússia
 por ter ultrapassado os
 limites autorizados de resíduos 
A reportagem do vespertino também 
lembra que a
 ministra brasileira não tem boa
 reputação, e chegou
 a ser apelidada de "musa do veneno", 
em referência
 ao polêmico texto que apoia a
 aceleração das
 autorizações para o uso de
agrotóxicos, defendido 
por Tereza Cristina.
Apesar de ser contestado por 
defensores do meio
 ambiente, o projeto ganha força,
 principalmente
 “com a chegada ao poder no Brasil
 de uma extrema
 direita que vê o aquecimento do
 planeta como um
 complô marxista”, frisa Le Monde,
 em alusão à
 incredulidade do governo Bolsonaro 
diante dos
 alertas ligados às mudanças climáticas.
Apoio do agrobusiness
O texto ressalta ainda que muitos
 dos agrotóxicos
 autorizados neste ano no Brasil 
não foram analisados
 para uma medição de sua
 periculosidade e que
 algumas dessas substâncias já são
 proibidas em
 vários países.
Ouvida pelo Le Monde, Aline Gurgel,
 do Instituto
 Oswaldo Cruz, afirma que dos 197
 agrotóxicos que 
começaram a ser comercializados
 em maio, quase a
 metade é considerada extremamente
 ou altamente tóxica.
 Mas “o governo foi eleito graças ao
 apoio do agronegócio”
, o que explicaria essa falta de 
controle, segundo Larissa 
Mies Bobardi, pesquisadora da
 Universidade de São Paulo,
 também citada pelo jornal francês.
"Essa corrida pelos agrotóxicos, na
 contramão da tendência
 mundial, preocupa ainda mais no
 caso do Brasil, que já
 é considerado desde 2008 o maior 
consumidor mundial 
de produtos químicos na agricultura",
 analisa Le Monde.
 O vespertino aponta que, em 2017, o
 Instituto Nacional 
do Câncer concluiu que cada brasileiro
 consumia, em média,
 cerca de 5 quilos de agrotóxicos
 por ano. O uso em massa
 desses produtos, frequentemente
 pulverizados nas
 plantações, se acelerou após a
 autorização da agricultura
 transgênica no Brasil desde o início
 dos anos 2000, 
assinala o texto.
"As consequências a longo prazo
 podem ser dramáticas",
 se preocupa Le Monde, que lista o 
aumento de casos de
 câncer e de malformação congênita,
 que já começam a 
ser associados ao contato da
 população com os agrotóxicos.

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