sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

QUEREMOS JUSTIÇA QUE FAÇA JUSTIÇA

Entidades internacionais

 estarão no julgamento de Lula

Sindicatos de todo mundo estão organizando caravanas

 para estar em Porto Alegre no dia 24 em apoio ao

 ex-presidente 

Escrito por: Solange do Espírito Santo, especial para a CUT • Publicado em:
 05/01/2018 - 09:42 • Última modificação: 05/01/2018 - 10:59
Ricardo Stucker
Delegações de sindicalistas de vários países vão se somar
 aos milhares de manifestantes brasileiros na vigília em apoio 
ao ex-presidente Lula no próximo dia 24 em Porto Alegre (RS),
 data em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região 
(TRF-4) julgará o recurso de Lula no processo referente ao
 caso do tríplex do Guarujá (SP).

Organizações mundiais de trabalhadores, como a Confederação
 Sindical Internacional (CSI) e a IndustriALL Global Union
 (sindicato mundial dos trabalhadores na indústria), estão 
intensificando a mobilização de suas entidades filiadas para a
 atividade, particularmente as da América Latina.

A informação é do presidente da CSI, João Felício, e do
 secretário geral da IndustriALL, Valter Sanches. Ambos 
lembram que o movimento sindical internacional já vem se 
manifestando em defesa dos trabalhadores brasileiros e 
do ex-presidente Lula desde 2015, quando ocorreu o golpe
 contra a democracia e a presidenta Dilma Rousseff.

Segundo Sanches, o movimento sindical internacional tem
 muita expectativa em relação à situação do Brasil. Primeiro,
 porque quer que o processo democrático seja restabelecido,
 que haja eleição de fato em 2018, que Lula tenha o direito
 de ser candidato e de que se possa eleger um governo 
democrático-popular no país. 

E, para defender a democracia, sindicalistas de vários 
países do mundo estão se empenhando para garantir a presença
 de representantes de suas entidades na manifestação do dia 24. 

“Eles querem contribuir com a luta dos trabalhadores
 brasileiros”, afirma Sanches, completando: “Com certeza sairão
 ônibus de Argentina e do Uruguai, onde já um movimento de
 apoio muito forte ao ex-presidente, capitaneado pelas centrais
 sindicais dos dois países, como a uruguaia PIT/CNT e a argentina CTA”.

Ainda segundo ele, além da IndustriALL, outras organizações
 globais como a UNI Global Union [organização mundial de
 bancários e financiários], ISP (Internacional de Servidores
 Públicos) e a UITA (União Internacional dos Trabalhadores 
na Alimentação), entre outros, estão empenhadas em
 organizar caravanas de trabalhadores para a vigília de Porto Alegre. 

Além da defesa da democracia, esses sindicalistas têm enorme
 admiração por Lula, o primeiro presidente operário, ex-sindicalista
 - Lula foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC -, 
que fez um governo democrático e popular. 

É o que afirma o presidente da CSI, Confederação Sindical
 Internacional. “Ninguém se recusa a dar apoio a Lula.
 Ele é muito admirado e respeitado pelo movimento sindical 
internacional, que o reconhece como o maior presidente que 
o Brasil já teve e como referência mundial”. 

Segundo Felicio, “para as organizações sindicais de todos
 os continentes está claro que o objetivo do julgamento é
  tirar Lula do jogo eleitoral, atendendo as ordens das forças
 do mercado e de governos ultraconservadores”.

“Impedir a sua candidatura será uma derrota mundial, uma
 derrota da democracia e de quem defende um mundo novo,
 com políticas inclusivas, com distribuição de renda, com relações 
solidárias com outros povos”, assinala João Felício.  

O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, 
informa que a Central tem mantido contatos constantes com
 as entidades de outros países, por considerar o apoio
 internacional fundamental para denunciar a perseguição
 contra o ex-presidente e os ataques aos direitos dos
 trabalhadores desferidos desde o golpe. 

“O sindicalismo internacional tem clareza de que a nova
 etapa do golpe é impedir a candidatura de Lula. Assim, logo
 que o julgamento no TRF-4 foi marcado, enviamos um
 comunicado às entidades internacionais dizendo que este
 processo é o próximo passo do golpe. Junto, enviamos o
 manifesto ‘Eleição sem Lula é Fraude’ para que os 
sindicalistas de outros países também possam aderir a ele”, 
diz Lisboa, avisando que a CUT intensificará seus contatos
com as entidades a partir da próxima semana, quando termina
 o recesso de final de ano de várias organizações em todo o mundo.

Ataque neoliberal e solidariedade entre trabalhadores

Os três sindicalistas assinalam que as entidades
 internacionais acompanham com apreensão os
 desdobramentos do golpe no Brasil e da investida 
neoliberal na América Latina, com seus ataques 
aos direitos trabalhistas e previdenciários. 

“A América Latina vivia um ciclo progressista e, com o golpe
 no Brasil e a eleição de candidatos de direita na Argentina
 e no Chile, infelizmente esses países se juntam a vários 
outros nações que atacam direitos dos trabalhadores”,
 destaca Sanches.

Lisboa acrescenta que a deposição da presidenta Dilma
 Rousseff foi vista pelo sindicalismo mundial como um
 instrumento para o avanço da política neoliberal e como a
 retomada do poder no Brasil pelo capital financeiro 
internacional, que avança com a privatização do Pré-Sal,
 com a reforma trabalhista e a redução drástica de políticas sociais.

“E proibir a candidatura de Lula”, acrescenta, “é a estratégia 
para impedir os estados nacionais e governos progressistas”.

João Felício recorda também que a solidariedade 
internacional aos trabalhadores brasileiros e a Lula já está 
na agenda das entidades desde 2015, quando o golpe foi consolidado. 

“A campanha ‘Lula vale a luta’, por exemplo, foi lançada 
internacionalmente no final de 2015, quando os ataques contra
 ele foram intensificados pelo judiciário e pela mídia. E em 
2016, a CSI denunciou em Nova Iorque o ‘lawfare’ contra o
 ex-presidente, em atividade paralela à Assembleia das Nações
Unidas”, conta.

“O golpe contra a democracia e a perseguição ao
 ex-presidente também tem sido denunciado em todas 
as oportunidades em que estamos presentes, em fóruns 
internacionais como o conselho de administração da OIT
 [Organização Internacional do Trabalho], do qual participei”,
 lembra Antonio Lisboa.

Ao longo de todo este período, atestam os sindicalistas,
 nenhuma entidade sindical internacional tem se furtado em
 externar sua solidariedade aos trabalhadores brasileiros e
 ao ex-presidente Lula. 

“Antes do golpe, o Brasil era a materialização de tudo o que
 a gente sempre defendeu, de que um novo mundo é
 possível, e é isso que as organizações sindicais querem 
de novo no Brasil e também em todos os países onde está
 ocorrendo o processo de restauração neoliberal”, comenta
 Valter Sanches.

“O sindicalismo internacional sabe que o que vem acontecendo 
no Brasil é um modelo a ser seguido no restante do mundo. 
E os trabalhadores não querem isso. Por isso, sabem da
 importância de defender Lula e a democracia”, avalia Antonio Lisboa.

“A denúncia do golpe no Brasil e a solidariedade ao presidente
 Lula continuarão na agenda de lutas do movimento sindical
 internacional não vão se esgotar no dia 24 de janeiro, mas
 vão continuar ao longo de todo o ano”, avisa o presidente da CSI.

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