Entidades internacionais
estarão no julgamento de Lula
Sindicatos de todo mundo estão organizando caravanas
para estar em Porto Alegre no dia 24 em apoio ao
ex-presidente
Escrito por: Solange do Espírito Santo, especial para a CUT • Publicado em:
Ricardo Stucker
Delegações de sindicalistas de vários países vão se somar
aos milhares de manifestantes brasileiros na vigília em apoio
ao ex-presidente Lula no próximo dia 24 em Porto Alegre (RS),
data em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região
(TRF-4) julgará o recurso de Lula no processo referente ao
caso do tríplex do Guarujá (SP).
Organizações mundiais de trabalhadores, como a Confederação
Sindical Internacional (CSI) e a IndustriALL Global Union
(sindicato mundial dos trabalhadores na indústria), estão
intensificando a mobilização de suas entidades filiadas para a
atividade, particularmente as da América Latina.
A informação é do presidente da CSI, João Felício, e do
secretário geral da IndustriALL, Valter Sanches. Ambos
lembram que o movimento sindical internacional já vem se
manifestando em defesa dos trabalhadores brasileiros e
do ex-presidente Lula desde 2015, quando ocorreu o golpe
contra a democracia e a presidenta Dilma Rousseff.
Segundo Sanches, o movimento sindical internacional tem
muita expectativa em relação à situação do Brasil. Primeiro,
porque quer que o processo democrático seja restabelecido,
que haja eleição de fato em 2018, que Lula tenha o direito
de ser candidato e de que se possa eleger um governo
democrático-popular no país.
E, para defender a democracia, sindicalistas de vários
países do mundo estão se empenhando para garantir a presença
de representantes de suas entidades na manifestação do dia 24.
“Eles querem contribuir com a luta dos trabalhadores
brasileiros”, afirma Sanches, completando: “Com certeza sairão
ônibus de Argentina e do Uruguai, onde já um movimento de
apoio muito forte ao ex-presidente, capitaneado pelas centrais
sindicais dos dois países, como a uruguaia PIT/CNT e a argentina CTA”.
Ainda segundo ele, além da IndustriALL, outras organizações
globais como a UNI Global Union [organização mundial de
bancários e financiários], ISP (Internacional de Servidores
Públicos) e a UITA (União Internacional dos Trabalhadores
na Alimentação), entre outros, estão empenhadas em
organizar caravanas de trabalhadores para a vigília de Porto Alegre.
Além da defesa da democracia, esses sindicalistas têm enorme
admiração por Lula, o primeiro presidente operário, ex-sindicalista
- Lula foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC -,
que fez um governo democrático e popular.
É o que afirma o presidente da CSI, Confederação Sindical
Internacional. “Ninguém se recusa a dar apoio a Lula.
Ele é muito admirado e respeitado pelo movimento sindical
internacional, que o reconhece como o maior presidente que
o Brasil já teve e como referência mundial”.
Segundo Felicio, “para as organizações sindicais de todos
os continentes está claro que o objetivo do julgamento é
tirar Lula do jogo eleitoral, atendendo as ordens das forças
do mercado e de governos ultraconservadores”.
“Impedir a sua candidatura será uma derrota mundial, uma
derrota da democracia e de quem defende um mundo novo,
com políticas inclusivas, com distribuição de renda, com relações
solidárias com outros povos”, assinala João Felício.
O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa,
informa que a Central tem mantido contatos constantes com
as entidades de outros países, por considerar o apoio
internacional fundamental para denunciar a perseguição
contra o ex-presidente e os ataques aos direitos dos
trabalhadores desferidos desde o golpe.
“O sindicalismo internacional tem clareza de que a nova
etapa do golpe é impedir a candidatura de Lula. Assim, logo
que o julgamento no TRF-4 foi marcado, enviamos um
comunicado às entidades internacionais dizendo que este
processo é o próximo passo do golpe. Junto, enviamos o
manifesto ‘Eleição sem Lula é Fraude’ para que os
sindicalistas de outros países também possam aderir a ele”,
diz Lisboa, avisando que a CUT intensificará seus contatos
com as entidades a partir da próxima semana, quando termina
o recesso de final de ano de várias organizações em todo o mundo.
Ataque neoliberal e solidariedade entre trabalhadores
Os três sindicalistas assinalam que as entidades
internacionais acompanham com apreensão os
desdobramentos do golpe no Brasil e da investida
neoliberal na América Latina, com seus ataques
aos direitos trabalhistas e previdenciários.
“A América Latina vivia um ciclo progressista e, com o golpe
no Brasil e a eleição de candidatos de direita na Argentina
e no Chile, infelizmente esses países se juntam a vários
outros nações que atacam direitos dos trabalhadores”,
destaca Sanches.
Lisboa acrescenta que a deposição da presidenta Dilma
Rousseff foi vista pelo sindicalismo mundial como um
instrumento para o avanço da política neoliberal e como a
retomada do poder no Brasil pelo capital financeiro
internacional, que avança com a privatização do Pré-Sal,
com a reforma trabalhista e a redução drástica de políticas sociais.
“E proibir a candidatura de Lula”, acrescenta, “é a estratégia
para impedir os estados nacionais e governos progressistas”.
João Felício recorda também que a solidariedade
internacional aos trabalhadores brasileiros e a Lula já está
na agenda das entidades desde 2015, quando o golpe foi consolidado.
“A campanha ‘Lula vale a luta’, por exemplo, foi lançada
internacionalmente no final de 2015, quando os ataques contra
ele foram intensificados pelo judiciário e pela mídia. E em
2016, a CSI denunciou em Nova Iorque o ‘lawfare’ contra o
ex-presidente, em atividade paralela à Assembleia das Nações
Unidas”, conta.
“O golpe contra a democracia e a perseguição ao
ex-presidente também tem sido denunciado em todas
as oportunidades em que estamos presentes, em fóruns
internacionais como o conselho de administração da OIT
[Organização Internacional do Trabalho], do qual participei”,
lembra Antonio Lisboa.
Ao longo de todo este período, atestam os sindicalistas,
nenhuma entidade sindical internacional tem se furtado em
externar sua solidariedade aos trabalhadores brasileiros e
ao ex-presidente Lula.
“Antes do golpe, o Brasil era a materialização de tudo o que
a gente sempre defendeu, de que um novo mundo é
possível, e é isso que as organizações sindicais querem
de novo no Brasil e também em todos os países onde está
ocorrendo o processo de restauração neoliberal”, comenta
Valter Sanches.
“O sindicalismo internacional sabe que o que vem acontecendo
no Brasil é um modelo a ser seguido no restante do mundo.
E os trabalhadores não querem isso. Por isso, sabem da
importância de defender Lula e a democracia”, avalia Antonio Lisboa.
“A denúncia do golpe no Brasil e a solidariedade ao presidente
Lula continuarão na agenda de lutas do movimento sindical
internacional não vão se esgotar no dia 24 de janeiro, mas
vão continuar ao longo de todo o ano”, avisa o presidente da CSI.
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