sábado, 27 de janeiro de 2018

Pedido de investigação contra Aécio prescreve e é arquivado no STF SEM CONTAR COM O ARQUIVAMENTO DE SERRA FICA UMA PERGUNTA ONDE ESTA JUSTIÇA BRASILEIRA

O ministro Edson Fachin, relator dos processos da
 Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF),
 mandou arquivar uma das frentes de investigação
 surgidas a partir da delação de Sérgio Machado 
— ex-presidente da Transpetro, uma empresa 
subsidiária da Petrobras — e que envolvia o atual
 presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). 
O depoimento de Machado foi prestado em 6 
de maio de 2016. O pedido de investigação foi
 protocolado pelo procurador-geral da República,
 Rodrigo Janot, em 4 de outubro de 2016, no
 Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo 
dia foi devolvido à Procuradoria Geral da 
República (PGR), que se manifestou outra vez
 apenas em 2 de março deste ano, pedindo seu 
arquivamento. Janot disse que o crime de 
corrupção passiva para fatos ocorridos entre 
1998 e 2000 só poderia ser punido até 2016.
 Fachin concordou.

Aécio Neves divulgou nota à imprensa na 
qual afirma que a decisão é “mais uma 
demonstração do cuidado que se deve ter ao 
tratar afirmações de criminosos confessos”. 
No texto, o senador afirma que “quem deveria 
estar sendo investigado é o sr. Sérgio Machado,
 pela irresponsabilidade das falsas afirmações feitas”.
Machado, que na época era líder do PSDB no
 Senado, disse que Aécio recebeu, de forma 
ilícita, R$ 1 milhão em dinheiro em 1998,
 quando era deputado. O dinheiro veio de 
um fundo montado por Machado, Aécio e o
 então senador e presidente do partido Teotônio 
Vilela, para financiar a bancada do PSDB na 
Câmara e no Senado. O dinheiro seria usado em
 campanhas para a reeleição. O plano era
 “eleger a maior bancada federal possível na
 Câmara para que pudessem viabilizar a
 candidatura de Aécio Neves à presidência da
 Câmara dos Deputados no ano 2000”.

O trio teria arrecadado R$ 7 milhões, sendo que
 R$ 4 milhões do total teriam sido obtidos 
da campanha nacional do então presidente 
da República Fernando Henrique Cardoso, 
que era candidato à reeleição. O restante teria 
saído de empresas. Segundo o delator, parte do 
dinheiro teria vindo do exterior. A divisão do
 bolo daria “entre 100 mil e 300 mil a cada
 candidato”, segundo Machado. Cerca de 50 
deputados receberam a ajuda de custo para as
 campanhas. O maior beneficiado teria sido Aécio.

“A maior parcela dos cerca de R$7 milhões 
de reais arrecadados à época foi destinada ao
 então deputado Aécio Neves, que recebeu 
R$ 1 milhão de reais em dinheiro”, disse 
Machado. O depoente também disse que Aécio 
“recebia esses valores através de um amigo 
de Brasília que o ajudava nessa logística”.

Entre as empresas que contribuíram para o 
fundo do PSDB está a Camargo Correa, uma
 das investigadas na Lava-Jato. Segundo 
Machado, em 1998, recebeu “um pacote de 
dinheiro de R$ 350 mil reais para o 
PSDB” das mãos do presidente da empreiteira,
 Luiz Nascimento. “A Camargo ajudava 
fortemente e sempre foi um grande doador
 nas campanhas tucanas”.

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