sexta-feira, 2 de setembro de 2016

UM POUQUINHO DE UM PAIS CHAMADO BRAZIL

Governo Alckmin é

 denunciado por crime de responsabilidade

Auditores fiscais do estado 
ingressaram com ação acusando 
o governo de prejudicar o 
caixa do estado por meio de 
operações de crédito com 
empresa fraudulenta
por Gabriel Valery, da RBA publicado 02/09/2016 15:30
A
Alckmin e Villela: 'Governo está tentando adiantar uma
 receita de forma artificial', denuncia Sinafresp


alckmin fraude.jpg




São Paulo – Auditores fiscais do estado de São Paulo 
entraram ontem (1º) no Ministério Público do Estado
 de São Paulo com uma ação popular contra o governo
 de Geraldo Alckmin (PSDB) por fraudes em operações
 de crédito. Se confirmados, os atos configuram
 crime de responsabilidade, implicando rombo 
futuro no patrimônio público para “maquiar” as
 contas, inflando o orçamento de curto prazo do estado.
“Se confirmado, isso configura crime de
 responsabilidade dos secretários e de quaisquer 
entes do governo que tenham parte nisso. Agora, cabe 
ao Ministério Público analisar. Para nós, as operações
 alteram o balanço, o orçamento do estado de forma
 fraudulenta”, afirmou o vice-presidente do Sindicato 
dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo 
(Sinafresp), o auditor fiscal Gláucio Honório.
Por esse esquema, o estado fornece créditos à empresas,
 ele tem contas a receber de empresas inadimplentes, 
ou que cometeram infrações. Esses valores a receber
 são divididos em lotes preferenciais e não preferenciais.
 A fim de adiantar o recebimento, o estado vende
 estes lotes para empresas financeiras ou bancos. 
As preferenciais têm maior liquidez, ou seja, possuem 
menor risco de não serem pagas, isso porque, de tempos 
em tempos, o estado promove parcelamento dessas 
dívidas, perdoando multas ou juros.
O mercado realiza esse tipo de prática
 corriqueiramente. O problema é quando as fraudes
 começam. Agrupar dívidas e vendê-las a empresas
 terceiras foi uma prática utilizada em larga escala
 com títulos podres do mercado imobiliário 
norte-americano, o que desencadeou a crise de
 2008. Em São Paulo, a gestão Alckmin pode estar 
realizando fraudes que podem implicar graves
 danos futuros, segundo o Sinafresp.
Os títulos podem ser vendidos para empresas privadas,
 visando ao recebimento mais rápido dos valores. 
Aí começa a fraude, de acordo com o sindicato.
 Alckmin criou uma empresa “mista” que compra
 esses títulos de dívidas, a Companhia Paulista de
 Securitização (CPSEC), que vem comprando os
 lotes não preferenciais nos últimos anos. São os de
 mais alto risco. Não haveria problema, se esta
 empresa fosse privada. Mas na prática, ela é uma 
sociedade anônima, com cerca de 3 milhões de
 ações no mercado. Apenas três não são do estado,
 pertencem ao ex-secretário da Fazenda Renato
 Villela e a mais dois funcionários do alto escalão
 da pasta.
“Esta suposta empresa não é mista de fato. Ela é do
 governo. Veja, o problema é que empresas públicas
 não quebram. Se houver rombo, os cofres públicos
 vão cobrir. Isso fere a Lei de Responsabilidade 
Fiscal”, explica Glauco. “Ele (Alckmin) está 
tentando adiantar uma receita de forma artificial. 
Nos títulos de alto risco, ele pega uma aplicação de
 longo prazo e a transforma em dinheiro de curto 
prazo. Isso é um jogo de balanço que traz dinheiro
 fictício, carregando riscos futuros para a saúde
 das contas públicas”, continua. O objetivo seria 
inflar o orçamento do ano, maquiando os valores 
do caixa, o que pode causar um rombo, uma bolha futura.
AÇÃO PÚBLICAao.jpg
Trecho da ação contra o estado de São Paulo por violação da Lei de Responsabilidade Fiscal






Posição do estado

Em nota, a Secretaria da Fazenda afirma que as 
operações da CPSEC foram autorizadas pela 
Assembleia Legislativa, e que de 2012 a 2015, a 
empresa acrescentou R$ 2,14 bilhões aos cofres do
 estado. Entretanto, Glauco insiste que “existem 
muitas coisas para serem explicadas”. Isso porque o
 valor citado pela secretaria possui "inconsistência".
“Na nota do estado, eles dizem que a CPSEC trouxe
 R$ 2,14 bilhões. Todavia, o balanço da secretaria
 mostra debêntures (títulos) na ordem de R$ 6 bilhões.
 Por que ele só trouxe R$ 2,14 bilhões? Exatamente
 porque esta operação de crédito trouxe dinheiro, 
mas existe o risco de parte das dívidas”, explica o
 auditor. “Outro problema é que o projeto passou
 pelo Legislativo em 2009, e a primeira operação foi
 realizada em 2012. Isso começou durante a 
gestão de José Serra (PSDB) e, talvez, ele tivesse
 a noção de que isso não era totalmente legal”, afirmou.

Queda de secretário

Na terça-feira, Alckmin anunciou a troca do comando 
da pasta da Fazenda. Saiu Renato Villela (dono de
 pequena parte da CPSEC, o que de acordo com o
 estado “justifica” o teor “misto” da empresa), 
empossando Hélcio Tokeshi. Apesar de alegar
 “motivos pessoais”, os auditores fiscais consideram
 que mobilizações da categoria e denúncias –
 relação ao ICMS – influenciaram na decisão.
“Villela tinha um viés contrario ao servidor público 
de carreira. Ele sempre fez questão de deixar isso 
muito claro com suas atitudes, como de não dialogar
 com a categoria. Com isso, ele criou um verdadeiro 
caos na secretaria. Isso se refletiu na queda da 
arrecadação. Ele dizia que a culpa era da crise, mas 
de acordo com índices, a arrecadação caiu mais do 
que qualquer justificativa. Ele nunca admitiu, mas 
a razão foi o mau direcionamento, má administração 
e trabalho inadequado”, afirmou.
A ação no novo secretário segue uma incógnita,
 porém, o Sinafresp projeta esperanças. “Nossa 
expectativa, mesmo sem conhecer o novo secretário
 é de que ele tenha algum conhecimento do serviço 
público”, disse Glauco. A intenção é de que a pasta 
atue de forma “mais técnica e menos política”, disse.
 “Sabemos que a Fazenda sempre terá algum viés 
político, mas que ele seja menor.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário