Mundo fala de "golpe"
e "governo ilegítimo" de
Michel Temer
- 19:38
Jornal GGN - Expressões como "golpe", "injustiça", "governo
ilegítimo", "não escolhido nas urnas", além de históricos de luta
de Dilma Rousseff e contra o "sombrio" de Michel Temer foram
usados por jornais de todo o mundo, nesta quarta-feira (31) em
que uma presidente da República foi afastada sem crimes de
responsabilidade. A notícia, ao contrário do que aqui, não foi
celebrada pela maioria dos diários, mas escancarados os
bastidores que caem junto com Rousseff.
Veja o que os jornais falaram pelos quatro cantos do mundo:
Nos Estados Unidos, o The Wall Street Journal deixou em posição
privilegiada a manchete de que a ex-guerrilheira que lutou contra a
ditadura no Brasil e que também "lutou como presidente", "em
meio a uma economia conturbada e um clima político turbulento",
foi afastada pelo processo de impeachment que ela denunciou
"ser um golpe".
O alemão Spiegel Online destacou em sua capa "O novo
nenhum dos brasileiros votariam nele e, de qualquer maneira,
Michel Temer é agora presidente. Com um gabinete completamente
branco, totalmente masculino, que representa a velha elite. Os
líderes empresariais triunfam", diz a manchete do diário europeu.
Apesar de defensores do impeachment tentarem provar que o caso
de hoje foi tão legítimo como o de Fernando Collor, em 1992, a
britânica BBC mostrou que não: "o impeachment de Collor foi
um caso claro. Haviam provas abundantes de propinas pagas a
ele". "Vinte e quatro anos Vinte e quatro anos depois, o Brasil
tem pela segunda vez o impeachment de um presidente. Mas
desta vez, as circunstâncias parecem muito menos claras",
divulgou o jornal pelo mundo.
"Embora as pesquisas mostrem que há uma ampla rejeição de Dilma
Rousseff como presidente, a questão de saber se ela é culpada de um
crime punível com a perda do seu mandato provou uma controversa
explosiva no Brasil. Como as coisas chegaram a este ponto e como a
história vai olhar para trás sobre o impeachment de primeira mulher
presidente do Brasil?", ainda questionou a reportagem.
Um pouco mais conservador, o El País da América Latina não
pode deixar de compartilhar a fala de Dilma, no discurso histórico
desta segunda-feira (29): "'Estamos a um passo da concretização
de um verdadeiro golpe', disse segunda, diante dos 81 senadores
que a julgariam". Tentando a imparcialidade, no terceiro parágrafo
o jornal não pode negar: "No fundo, o impeachment sempre foi político".
O diário português Público.PT deu espaço para diversas reportagens,
entre elas a que conta a trajetória de Michel Temer: "de vice
'decorativo' a chefe de Estado", apresentando o peemedebista
como o "orquestrador" do afastamento de Dilma Rousseff e que
hoje compõe "um governo exclusivamente por homens de idade
, brancos e conservadores" e com um "discurso de unidade
nacional não conseguiu convencer uma grande parte da população
que punha em questão a sua legitimidade".
"A primeira mulher presidente do Brasil Dilma Rousseff foi cassada
por um Senado contaminado por corrupção, após um cansativo
processo de impeachment que encerra 13 anos de domínio do
Partido dos Trabalhadores", introduz assim o britânico The Guardian.
"Na sequência de uma derrota esmagadora de 61 a 20 no
Senado, ela será substituída para os restantes dois anos e três
meses de seu mandato por Michel Temer, um patrício de
centro-direita que estava entre os líderes da campanha contra o
seu ex-companheiro de chapa", seguiu o jornal.
Seguindo a tradição do francês Le Monde, de escancarar o
golpe que se consumiu nesta quarta-feira, o jornal hoje deu
a triste notícia: "O drama de sua queda, a denúncia de um
'golpe' ameaçando a jovem democracia brasileira, sua guerrilha
passado, seu sofrimento e resistência à tortura durante a
ditadura militar (1964-1985), nada assegurou a ela mansidão
de seus juízes".
O The Intercept, coordenado pelo jornalista que ganhou fama
após revelar os datos dos Wikileaks, Gleen Greenwald, ganhou
destaque no Brasil após receber a versão em português. Mas o
diário originalmente norte-americano trouxe grande destaque à
cobertura do impeachment e do resultado nesta quarta-feira.
Em reportagem, uma análise sobre a saída de Dilma e a
entrada de Temer, resumiu: "É a personificação da covardia
O diário online também disponibilizou um vídeo em quem
Greenwald analisa o impeachment para o canal de televisão dos
Estados Unidos Democracy Now, que pode ser visto com legendas
em português:
O jornal chinês Shanghai Daily trouxe uma reportagem com amplo espaço para a defesa de Dilma Rousseff, realizada nesta segunda-feira (29). O diário reproduziu algumas falas da então presidente: '"Eu sei que serei julgada, mas a minha consciência está limpa. Eu não cometi um crime", disse Rousseff a senadores em seu processo de impeachment". E continuou destacando que ela foi reeleito, em 2014, por mais de 54 milhões de eleitores, seguindo a Constituição do país.
O árabe Al Jazeera preferiu uma reportagem mais objetiva, sem
artigos ou opiniões, mas dedicou a um vídeo a manifestação sobre
quem seria o novo presidente da República, Michel Temer. Sob
o jornal lembrou que Temer é ficha suja e está banido de concorrer
a eleições por 8 anos por "ilegalidades no financiamento de campanhas
eleitorais", mas, por outro lado, pede o impechment de Dilma
por "crimes fiscais", além de ser "acusado de corrupção na Petrobras".
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